Quanto cobrar por um evento:o preço que te deixa viver de eventos


Muitas das minhas alunas, no início, diziam: Ai, não sei quanto é que hei de cobrar. Eu tenho medo de parecer cara. Eu tenho medo de não cobrar o preço justo. E faz sentido. Eu também passei por isso.
A resposta à pergunta quanto é que eu cobro? não está onde quase todas a procuramos ao início.
O teu preço não depende do material nem do orçamento do cliente
O teu preço não deve ser definido pelo material que tu tens, ou pelo que o evento vai ter ou não.
Não vale a pena ir olhar para a concorrência e para os preços que estão a fazer. Tu não sabes a vida das pessoas. Tu não sabes o que é que elas estão a ganhar ou a deixar de ganhar.
O preço que te permite viver de eventos
Definir o preço que te permite viver de eventos é muito importante. Para calcular um orçamento, tu precisas de saber quanto é que é o teu salário, quanto é que a tua empresa precisa para funcionar por mês, quanto é que vai custar aquele evento. E não te esqueças dos impostos.
Organizar e decorar um evento é algo que demora tempo, exige conhecimento. Usas o teu recurso mais valioso, que é o tempo, e depois no final vais cobrar 300 €? Não faz sentido nenhum. Além disso, temos a responsabilidade sobre aquele dia em que nada pode falhar.
Costumo dizer: quando um evento é muito cansativo, é porque não te pagaram o preço justo.
Um serviço, um preço
Ter um preço mais baixo, um preço intermédio, um preço mais caro, e tentar adivinhar qual é a carteira do cliente, isso é um erro. Isso chama-se dispersão. Quer dizer que tu vais ter eventos em que ganhas mais e outros em que ganhas menos. E isso não te vai trazer aquilo que tu precisas para viver de eventos, que é previsibilidade. Um único serviço, um único preço, um único tipo de cliente, um único tipo de eventos. É simples.
Mais barato não traz mais clientes
Apesar de ter muitos interessados, a maioria não queria pagar o preço. Eu decidi comprar mais material. Fui comprar material porque acreditava que isso ia melhorar o valor do meu trabalho, que as pessoas iam olhar e dizer assim: espera, realmente isto vale o dinheiro que ela está a cobrar. E isso foi um erro enorme.
Como tinha tanta gente que não queria pagar o preço, eu achava que talvez o meu preço fosse muito caro. Mas eu também não podia baixar, porque senão ia perder dinheiro. Decidi abrir uma loja e começar a vender produtos para as pessoas que não queriam que eu fizesse a organização e decoração. Mais uma vez, foi um erro, porque eu queria tentar agradar a todos.

Estes foram os dois grandes erros que eu cometi, porque isto era exatamente o oposto da liberdade de tempo e dinheiro que eu já tinha antes.
Eu cheguei a ter clientes que me disseram não por causa do preço, e não era porque o preço era caro, era porque era barato. E isso fez as pessoas duvidarem da qualidade.
Se eu puser aqui dois telemóveis, um que eu digo que vale 2.000 € e este que eu digo que vale 50 €, claramente qual é que tem mais valor? O preço é uma perceção de valor. E se eu tenho um trabalho de alta qualidade e cobro um precinho, o bom cliente, aquele que estava disponível para pagar, vai fugir a sete pés.
Ter uma pessoa exclusiva para te organizar e decorar um evento é um serviço que é um luxo, assim como qualquer outra coisa. Se tu vais de férias, tens várias opções: ou vais para a casa de um familiar, ou vais para um Airbnb, ou vais para um hotel, ou vais para um resort tudo incluído. Há de tudo para toda a gente.
Uma pessoa que realmente não tem orçamento para pagar a um organizador faz ela mesma. Agora, isto não quer dizer que no mercado não haja pessoas que estão dispostas e disponíveis para pagar. Há, e existem muitas. E sabes qual é que é o verdadeiro problema? É que essas pessoas que estão disponíveis para pagar muitas vezes não encontram os profissionais certos, com trabalho de qualidade.
Fiz uma reunião com o cliente, dei o orçamento ao cliente e o cliente disse: Olhe, não desvalorize o seu trabalho. Eu imagino que este evento dá imensa logística, valorizo imenso o seu trabalho, mas de facto eu não tenho dinheiro. E uma coisa é o cliente não ter dinheiro, outra coisa é o cliente não valorizar o teu trabalho.
O preço justo começa em ti
Decidi principalmente aceitar que precisava de ajuda. Foi aí que eu conheci a minha primeira mentora. Ela ajudou-me a precificar o meu trabalho, que era um dos meus pontos mais fracos. Não ter medo de enviar orçamentos e propostas foi algo que ficou logo completamente esclarecido.
Não é porque nós cobramos caro. Cobramos o valor justo. O valor justo permite-nos fazer um trabalho de qualidade, entregar aquilo que o cliente pretende e viver de eventos. Porque ninguém decide viver de eventos para andar a competir com ninguém, para se matar a trabalhar, mas sim para fazermos o que nós gostamos, entregarmos o melhor aos nossos clientes e, claro, vivermos bem também. E isso começa em nós, profissionais: sermos os primeiros a valorizar, a reconhecer e a colocar o preço justo.
Perguntas frequentes
Quanto devo cobrar para organizar um evento?
Definir o preço que te permite viver de eventos é muito importante. Para calcular um orçamento, tu precisas de saber quanto é que é o teu salário, quanto é que a tua empresa precisa para funcionar por mês, quanto é que vai custar aquele evento. E não te esqueças dos impostos.
Devo ver os preços da concorrência para definir o meu?
Não vale a pena ir olhar para a concorrência e para os preços que estão a fazer. Tu não sabes a vida das pessoas. Tu não sabes o que é que elas estão a ganhar ou a deixar de ganhar.
Se cobrar mais barato, consigo mais clientes?
Eu cheguei a ter clientes que me disseram não por causa do preço, e não era porque o preço era caro, era porque era barato. E isso fez as pessoas duvidarem da qualidade. O preço é uma perceção de valor.
Tenho medo de parecer cara. Como é que sei que o meu preço é justo?
Não é porque nós cobramos caro. Cobramos o valor justo. O valor justo permite-nos fazer um trabalho de qualidade, entregar aquilo que o cliente pretende e viver de eventos. Costumo dizer: quando um evento é muito cansativo, é porque não te pagaram o preço justo.
Se calhar, tu hoje não consegues perceber o que é que está a acontecer. Não há problema, eu posso-te ajudar.
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